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Após quase três meses, médicos e governo entram em acordo em AL

Agência Folha

Após a greve dos médicos chegar a 87 dias, o governo alagoano anunciou que conseguiu chegar a um acordo com o Sindicato dos Médicos de Alagoas em relação ao reajuste salarial da categoria. Os médicos do Estado, que têm salário médio de R$ 1.500, vão receber 39,31% de aumento.

O acordo foi anunciado pelo próprio governador, Teotonio Vilela Filho (PSDB), numa tentativa de reduzir o desgaste político de sua administração.

O governo já tinha concordado ontem com o percentual, mas insistia em escaloná-lo até julho de 2008. O sindicato exigia que fosse até janeiro. Hoje, ficou acertado que o escalonamento será até abril. Inicialmente, o sindicato reivindicava 50% de aumento e o governo oferecia 5%.

Segundo Wellington Galvão, presidente do Sindicato dos Médicos, o governo também concordou em se empenhar na retirada das multas contra o sindicato e no ressarcimento dos salários cortados, determinados pela Justiça. A anulação das sanções era um dos condicionantes para os médicos voltarem ao trabalho. O governo aceitou também implantar o plano de cargos e carreira da categoria.

A proposta do governo ainda iria ser submetida à aprovação de uma assembléia da categoria. "A assembléia deve aprovar a proposta", disse Galvão.

O procurador-geral do Estado, Mário Jorge Uchôa, que participou da negociação, disse que depende de a Justiça determinar o abono das multas e das faltas e que o governo fará o que o juiz decidir.

"Nossa posição é de acatar a decisão judicial. Desde o início chamamos o sindicato à responsabilidade. Se tivessem acatado anteriormente, não estariam nesta situação", disse Uchôa.

O governo do Estado só aceitou reabrir as negociações com a categoria depois de segunda-feira, quando os médicos começaram a cumprir a decisão de se desligar do serviço público e começaram a paralisar os atendimentos de urgência e emergência.

Segundo o governador, só foi possível dar o reajuste agora, após a liberação de recursos do governo federal para a saúde no Estado, o que permitiu remanejar o dinheiro destinados ao custeio para o pagamento de salários. Anteriormente, a justificativa dada pelo governo é que dar um reajuste acima de 5%, extrapolaria o limite dos gastos com pessoal fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Durante a greve, cerca de 2.000 atendimentos deixaram de ser prestados à população em cinco unidades na periferia de Maceió. Apenas a Unidade de Emergência Armando Lages manteve os atendimentos de urgência.

Hoje o governo alagoano retoma as negociações com os servidores da saúde (enfermeiros, auxiliares de enfermagem e outras categorias), em greve desde terça-feira.